#86 Interregno de programação
Numerado mas não organizado
Caros subscritores,
Na semana passada devia ter saído uma entrevista, esta semana devia sair o próximo consultório. Estão em progresso: a entrevista está gravada, o consultório está esboçado, mas nada está concluído.
Em vez de serem os meus clientes ou os meus filhos a pagar o preço, são vocês, porque são destinatários das minhas horas mais voluntariosas. É uma espécie de seleção natural da gestão do tempo, mas mesmo assim lamento.

Ao mesmo tempo, sei que não vos faz imensa diferença – enquanto aos meus clientes faria diferença faltar a reuniões e não entregar o que está combinado, e principalmente aos meus filhos faria muita diferença não os ir buscar à escola ou alimentar ou dar banho ou as outras quinhentas coisas que faço por eles e com eles.
Enquanto essas prometidas edições da luscofusco não chegam, deixo
3 reflexões dos últimos 15 dias:
Estou a ler o Homeseeking. Que bonito livro. Eu, que sabia muito pouco sobre os detalhes da história recente da China, tenho-me deixado embalar de coração partido. Leio para que a vida seja mais suave. Livros ajudam a limar os cantos dos dias com um ritmo que nenhum filme ou série consegue. Ter voltado a ser leitora é das minhas maiores pequenas alegrias dos últimos anos.
Estive na 4.ª edição do Women&Wealth, onde tenho marcado presença desde a primeira. Será que se chegar à 10.ª sem faltar nenhuma, as PWIT me oferecem um presente? Bem. Como de costume, foi um dia que serve de combustível premium para voltar a casa e rever o mapa financeiro, os planos para o futuro, os investimentos, e tomar decisões. Como anda a vossa vida financeira? Como estão as poupanças a longo prazo? Façam-nas. Lembrem-se de que a reforma são 20+ anos. Se hoje gastam 1000€/mês, para viver 20 anos, sem contar com inflação e etc, precisam de pelo menos 240.000€. E se calhar são mais anos, e se calhar as tuas despesas não vão ser 1000€/mês. E já mencionei a inflação?
Há 4 meses escrevi sobre a vontade desnecessária de melhorar as brincadeiras das crianças. Ao mesmo tempo, o assunto que partilhei numa edição recente tem continuado no meu pensamento. Optimizar é tantas vezes uma prioridade, não é? Tornar melhor, tornar ótimo, gerir bem o tempo, fazer um upgrade, aproveitar para ouvir um podcast, registar os passos que damos, fazer mais, mais rápido, comprar melhor… Temos sequer a escolha de não o fazer? E, se temos, alguma vez optamos por isso? Como é que podemos escolher não optimizar sem sentir que estamos a desistir ou simplesmente a não fazer o suficiente? Percebo porque é que queremos melhorar as grandes partes da nossa vida, mas talvez esteja na hora de resistirmos à tentação de melhorar as pequenas coisas.
Até breve,
Sofia


